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sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Possessão Espiritual na Visão Congo Bantu

Para que seja possível a possessão é preciso que a matéria, isto é, o corpo receba a Kutena (axé cósmico) da divindade. Mas os Diala, ainda imperfeitos e ligados a matéria, não poderiam absorver diretamente o Ngunzo (força) e o Divunzo (movimento) do Nkisi.
A matéria (energia de polo positivo) seria completamente aniquilada pelo contato direto com a energia de polo negativo do Nkisi. Esse contato só é possível através da mediação do Kiangana Kilengi, o Aluvaiá guardião do Nkisi, já que, apesar Dele não esta ligado a matéria (ele também, é o Nkisi de uma certa forma), participa da mesma essência de todos os outros Aluvaiás, e, portanto do Aluvaiá-existência do inciado.

É então necessário o acoplamento entre o Kiangana Kilengi e o Kiangana Kilungi - entre o Aluvaiá ligado à espiritualidade e o Aluvaiá ligado a matéria para que a divindade possa se manifestar.
É o Aluvaiá do Nkisi que carrega, por assim dizer, a sua energia e que determina a possessão. Por isso é possível a possessão de inúmeras pessoas ao mesmo tempo e por divindades da mesma energia. O Aluvaiá é o único que possui a prerrogativa da multiplicidade.
Para que o acoplamento da divindade seja possível, é também preciso que o Kiangana Kilungi se afaste da esfera da consciência. Ele desloca se para o sono.

Dizem os congos que esse corpo afasta-se dos outros na hora da possessão já que chegou a hora de residir com os Baculu (Ancestrais). 
Essa primeira fase da possessão é caracterizada por mal estar, tonteiras, enjoos, e até a perda temporária da visão. A noção de centro de gravidade é alterada pela interferência no normal equilíbrio energético do Kumbo (eixo da coluna vertebral).
Essa primeira etapa do transe é chamada de Kombolongolo.

Abraços do Tata Diego do 7.

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